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O mês de maio ganha uma cor de alerta para a saúde pública: o Maio Vermelho. Esta campanha mundial visa tirar da invisibilidade as hepatites virais, doenças inflamatórias que atacam o fígado e que, juntas, matam cerca de 1,1 milhão de pessoas anualmente ao redor do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Inimigo Silencioso

O grande desafio das hepatites (principalmente os tipos B e C) é o seu caráter assintomático. O fígado não possui terminações nervosas de dor, o que significa que a doença pode progredir silenciosamente por décadas. Quando os sintomas como icterícia (olhos e pele amarelados), urina escura e cansaço extremo aparecem, muitas vezes o fígado já apresenta cirrose ou carcinoma hepatocelular (câncer).

Diferenciando os tipos de Hepatites

O Avanço da Medicina e a Cura

Diferente da Hepatite B, que possui controle mas raramente cura definitiva, a Hepatite C hoje tem cura. O advento dos antivirais de ação direta (DAAs) permite tratamentos curtos (8 a 12 semanas), via oral e com pouquíssimos efeitos colaterais, apresentando taxas de sucesso superiores a 95%.

A Importância do Teste Rápido

O Maio Vermelho reforça que o diagnóstico é um ato de autocuidado. O SUS oferece testes rápidos gratuitos que ficam prontos em menos de 30 minutos. Recomenda-se que toda pessoa acima de 40 anos faça o teste pelo menos uma vez na vida, independentemente de possuir sintomas ou fatores de risco aparentes.

Ações Preventivas:

Referências:

  1. Ministério da Saúde (Brasil). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções.
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS). Global Progress Report on HIV, Viral Hepatitis and Sexually Transmitted Infections.
  3. Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). Consenso sobre o Tratamento das Hepatites Virais.
  4. Journal of Hepatology. Trends in Viral Hepatitis Mortality and Morbidity.

A infecção do trato urinário (ITU) é uma das condições mais frequentes na prática clínica, motivando milhões de consultas anualmente. Embora muitas vezes encarada como um problema simples de resolução rápida, a ITU possui um potencial de gravidade que não pode ser ignorado: a evolução para o choque séptico.

O mecanismo da infecção: da Cistite à Pielonefrite

A maioria das infecções começa na uretra e sobe para a bexiga, caracterizando a cistite. Os sintomas típicos incluem a disúria (dor ao urinar) e a polaciúria (aumento da frequência urinária). O risco real surge quando as bactérias — em 80% dos casos a Escherichia coli — realizam o caminho ascendente pelos ureteres até atingirem os rins, causando a pielonefrite.

Uma vez nos rins, os microrganismos encontram um ambiente altamente vascularizado. A barreira entre o sistema urinário e a corrente sanguínea pode ser rompida, permitindo que as bactérias e suas toxinas invadam o sangue.

O que é a Sepse e por que ela é fatal?

Diferente do que muitos pensam, a sepse não é apenas "infecção no sangue", mas sim uma resposta desregulada do próprio sistema imunológico. Ao tentar combater a invasão bacteriana, o corpo desencadeia uma inflamação sistêmica que acaba danificando os próprios tecidos. Isso pode levar à queda drástica da pressão arterial (choque séptico) e à falência de órgãos vitais como pulmões, fígado e o próprio coração.

Sinais de Alerta

É fundamental reconhecer os sinais de que a infecção ultrapassou o limite local:

Conclusão: O tratamento precoce com o antibiótico correto, guiado por exame de urocultura, é a única forma de interromper essa progressão. A hidratação adequada e a higiene rigorosa continuam sendo as melhores armas preventivas.

Referências:

  1. ILAS (Instituto Latino Americano da Sepse). Protocolos de Reconhecimento e Tratamento da Sepse e Choque Séptico. 2. Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Guia de Utilização de Anti-infecciosos e Orientações Diagnósticas.
  2. Urology Care Foundation. Urinary Tract Infections: Pathophysiology and Management.
  3. The Lancet. Sepsis: Lancet Seminar on epidemiology and clinical practice.

A famosa "pedra na vesícula" — tecnicamente chamada de colelitíase — é uma das condições mais comuns na prática gastroenterológica e cirúrgica. Estima-se que cerca de 10% a 20% da população mundial adulta possua cálculos biliares, embora muitos não apresentem sintomas imediatos.

Mas por que essas pedras se formam e o que você pode fazer para evitar as temidas crises de cólica biliar?

O que é a vesícula biliar e como as pedras se formam?

A vesícula é um pequeno órgão em formato de pera, localizado abaixo do fígado. Sua função é armazenar a bile, um líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão das gorduras.

As pedras se formam quando há um desequilíbrio na composição desse líquido. Existem dois tipos principais de cálculos:

  1. Cálculos de Colesterol: São os mais comuns (cerca de 80%). Ocorrem quando o fígado excreta mais colesterol do que a bile consegue dissolver.
  2. Cálculos Pigmentares: Formados quando há excesso de bilirrubina na bile (comum em pacientes com doenças hepáticas ou do sangue).

Principais causas e fatores de risco

Alguns grupos de pessoas têm maior propensão ao desenvolvimento de cálculos:

Como prevenir a formação de pedras na vesícula?

Embora não possamos mudar a genética ou a idade, hábitos de vida saudáveis são os maiores aliados na prevenção:

1. Mantenha uma dieta rica em fibras

Frutas, vegetais e grãos integrais ajudam a reduzir a absorção de colesterol e melhoram o trânsito intestinal.

2. Priorize gorduras boas

Substitua gorduras saturadas (frituras e carnes gordas) por gorduras insaturadas, como o azeite de oliva, abacate e oleaginosas (nozes e castanhas), que estimulam o esvaziamento correto da vesícula.

3. Evite o jejum prolongado e dietas "milagrosas"

A vesícula precisa se contrair para liberar a bile. Ficar muitas horas sem comer faz com que a bile fique "parada", favorecendo a cristalização do colesterol.

4. Pratique exercícios físicos regularmente

A atividade física ajuda no controle do peso e melhora o metabolismo das gorduras e da insulina, reduzindo o risco de cálculos.

Quando procurar um especialista?

A pedra na vesícula pode ser silenciosa, mas quando um cálculo obstrui o ducto biliar, surge a cólica biliar: uma dor intensa no lado direito do abdome ou na boca do estômago, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos após refeições gordurosas.

Se você sente esses desconfortos ou já sabe que possui cálculos, o acompanhamento médico é essencial para decidir se o tratamento será clínico ou cirúrgico (colecistectomia), evitando complicações como a colecistite (inflamação aguda) ou pancreatite biliar.


Referências Bibliográficas:

  1. Lammert, F., et al. (2016). Gallstones. Nature Reviews Disease Primers.
  2. Sociedade Brasileira de Digestão (SBD). Colelitíase: Diagnóstico e Tratamento.
  3. Wittenburg, H. (2015). Hereditary Liver Disease: Gallstones. Best Practice & Research Clinical Gastroenterology.
  4. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Dieting and Gallstones.

O transplante renal é a modalidade terapêutica que oferece a melhor sobrevida e qualidade de vida para pacientes com falência renal. No entanto, o sucesso do procedimento depende de um rigoroso protocolo de seleção de doadores para minimizar os riscos de rejeição e garantir a segurança de todos os envolvidos.

1. O Doador Vivo: A Avaliação Multidimensional

A doação em vida é pautada pelo princípio da segurança máxima ao doador. Ele deve ser capaz de viver plenamente com apenas um rim sem desenvolver complicações futuras.

Critérios Clínicos e Metabólicos

O candidato passa por uma avaliação minuciosa que inclui:

A Barreira Imunológica: ABO, HLA e Crossmatch

O sucesso do transplante depende da compatibilidade entre o sistema imune do doador e do receptor:

Aspectos Legais (Brasil)

De acordo com a Lei 9.434/97, parentes até o quarto grau e cônjuges podem doar. No caso de amigos ou pessoas sem vínculo de parentesco, é obrigatória a autorização judicial e a aprovação pela Comissão de Ética do Hospital para prevenir qualquer suspeita de comercialização de órgãos.

2. O Doador Falecido e a Morte Encefálica

A doação após o falecimento ocorre exclusivamente em casos de Morte Encefálica (ME), que é a perda completa e irreversível das funções do cérebro e do tronco cerebral, mantendo o coração batendo apenas por meios artificiais.

3. Recuperação e Vida após a Doação

A cirurgia para o doador vivo é feita preferencialmente por videolaparoscopia (menos invasiva), com tempo de internação curto (2 a 3 dias). Estudos mostram que, com o acompanhamento médico anual e hábitos saudáveis, o doador não tem sua expectativa de vida reduzida e o rim remanescente compensa a função necessária para uma vida normal.

Referências Bibliográficas:

  1. Abbud-Filho, M., et al. Manual de Transplante Renal. Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2020.
  2. Lei Federal Nº 9.434/1997 e Decreto Nº 9.175/2017 (Legislação de Transplantes no Brasil).
  3. Hart, A., et al. (2020). OPTN/SRTR 2018 Annual Data Report: Kidney. American Journal of Transplantation.

Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) Transplant Work Group. KDIGO clinical practice guideline on the evaluation and care of living kidney donors. Transplantation.

A Doença Renal Crônica (DRC) é definida pela presença de dano renal ou pela redução da função renal por um período igual ou superior a três meses, independentemente da causa. Por ser uma patologia de caráter progressivo e muitas vezes assintomática, o diagnóstico precoce e a classificação precisa por estágios são as ferramentas mais eficazes para retardar a falência renal e reduzir o risco cardiovascular associado.

A Classificação por Estágios (KDIGO)

A diretriz internacional KDIGO utiliza a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) e a presença de albuminúria para estratificar o risco do paciente.

Estágio 1: TFG ≥ 90 mL/min/1,73m²

Nesta fase, a função de filtração está preservada, mas há evidências estruturais de lesão (como proteinúria, hematúria ou alterações em exames de imagem).

Estágio 2: TFG 60-89 mL/min/1,73m² (Ligeira Redução)

Há uma perda funcional leve. O rim ainda compensa as demandas metabólicas, mas a reserva funcional começa a diminuir.

Estágio 3: TFG 30-59 mL/min/1,73m² (Redução Moderada)

Este estágio é o "divisor de águas". É subdividido em 3A (45-59) e 3B (30-44). Aqui, as complicações sistêmicas tornam-se clinicamente evidentes.

Estágio 4: TFG 15-29 mL/min/1,73m² (Redução Severa)

O paciente apresenta fadiga, edema e alterações bioquímicas graves (acidose metabólica e hipercalemia).

Estágio 5: TFG < 15 mL/min/1,73m² (Falência Renal)

Fase terminal da função renal. O organismo não consegue mais manter a homeostase sem auxílio externo.

Referências Bibliográficas:

  1. KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney International.
  2. Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Diretrizes Brasileiras de Doença Renal Crônica.
  3. Brenner & Rector's The Kidney. 11th Edition. Elsevier, 2019.
  4. National Kidney Foundation (NKF). KDOQI Clinical Practice Guidelines.

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

Este texto é um convite à mudança de hábitos e à quebra de tabus. Neste artigo, você vai entender como prevenir, identificar e tratar o câncer de próstata, além da importância de cuidar da saúde renal durante esse processo.


O que é o Câncer de Próstata

A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, responsável por produzir parte do líquido seminal.
O câncer de próstata ocorre quando há crescimento anormal e descontrolado das células da glândula, que podem formar um tumor e, em casos mais avançados, se espalhar para outras regiões do corpo.

Na maioria das vezes, a doença evolui lentamente, o que torna o diagnóstico precoce essencial para garantir maior sucesso no tratamento.


Sintomas do Câncer de Próstata

Nos estágios iniciais, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas — por isso, a realização de exames regulares é fundamental.
Quando os sinais aparecem, geralmente incluem:

⚠️ Atenção: sintomas urinários também podem indicar doenças renais ou infecções, por isso é importante buscar avaliação médica o quanto antes.


Fatores de Risco

Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver o câncer de próstata:

Homens com histórico familiar devem iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes, se houver recomendação médica.


Diagnóstico: quando procurar um médico

O diagnóstico é feito por meio de exames simples e seguros, que permitem detectar alterações antes do surgimento dos sintomas.
Os principais são:

A combinação dos exames aumenta a precisão do diagnóstico e ajuda a definir o melhor tratamento.


Prevenção: hábitos que fazem diferença

Embora não haja uma forma garantida de evitar o câncer de próstata, alguns hábitos reduzem significativamente o risco da doença:

Cuidar da saúde de forma integral é a melhor forma de prevenção.


Saúde Renal e Câncer de Próstata

Poucos sabem, mas o câncer de próstata e seus tratamentos podem impactar diretamente a função dos rins.
A obstrução urinária causada por tumores ou aumento da próstata pode dificultar o esvaziamento da bexiga, provocando retenção de urina e sobrecarga renal.

Por isso, é essencial que pacientes com alterações prostáticas também mantenham acompanhamento com um nefrologista, garantindo o funcionamento adequado dos rins e prevenindo complicações.


 Cuide da Sua Saúde com a Clínica Chocair

Na Clínica Chocair, acreditamos que cuidar da saúde é um ato de prevenção e amor à vida.
Nossa equipe multidisciplinar está preparada para acompanhar pacientes em todas as fases — do diagnóstico à reabilitação — com foco na saúde prostática e renal.


Referências bibliográficas

O inchaço nas pernas, tornozelos e pés, conhecido como edema, é um sintoma comum que pode ter diversas causas. Muitas vezes, está relacionado a retenção de líquidos e problemas circulatórios, mas também pode ser um sinal de alerta para problemas nos rins.

Neste artigo, explicamos como identificar se o inchaço pode indicar doença renal, quais exames são recomendados e quando procurar um nefrologista, além de reforçar cuidados preventivos para manter a saúde dos rins.


O que causa o inchaço nas pernas?

O inchaço nas pernas pode surgir por motivos variados, incluindo:

Quando o inchaço é persistente, associado a outros sintomas, ou surge de forma rápida, é importante investigar possíveis causas renais.


Relação entre retenção de líquidos e rins

Os rins são responsáveis por filtrar o sangue e eliminar líquidos e resíduos do corpo.
Quando a função renal está comprometida, ocorre retenção de líquidos, que pode se manifestar como:

Esses sinais podem indicar insuficiência renal aguda ou crônica, síndrome nefrótica ou outras condições que afetam a filtragem dos rins.


Quando procurar um nefrologista

É importante buscar avaliação médica quando o inchaço:

O nefrologista realizará exames para identificar se a causa é renal ou se está relacionada a outros órgãos, garantindo diagnóstico preciso e tratamento adequado.


Exames recomendados para investigação renal

Para avaliar se os rins estão comprometidos, os principais exames incluem:

O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir complicações graves e preservar a função renal.


Cuidados e prevenção

Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de retenção de líquidos e problemas renais:

Esses hábitos aumentam a qualidade de vida e a saúde dos rins.


 Cuide da Saúde Renal com a Clínica Chocair

Na Clínica Chocair, nossa equipe de nefrologistas realiza avaliação completa, diagnóstico preciso e acompanhamento personalizado para pacientes com sinais de retenção de líquidos ou outros sintomas renais.
Nosso objetivo é prevenir complicações, tratar doenças precocemente e melhorar a qualidade de vida.

Agende sua consulta e descubra como proteger seus rins e prevenir problemas graves.


Referências bibliográficas

Sentir ardência ao urinar, idas frequentes ao banheiro e dor no baixo ventre são sinais clássicos de infecção urinária. No entanto, quando esses episódios começam a se repetir várias vezes ao ano, o problema deixa de ser um evento isolado e passa a ser classificado como Infecção Urinária de Repetição (ou Recorrente).

Mas afinal, quando o uso de antibióticos comuns já não é mais suficiente e você precisa de um especialista? Descubra neste artigo.

O que define a infecção urinária recorrente?

Médicos e especialistas definem a recorrência quando o paciente apresenta:

Se você se enquadra em um desses cenários, tratar apenas o sintoma atual não é a solução. É preciso investigar a causa raiz.

Por que a infecção volta tanto?

Existem diversos fatores que podem contribuir para que as bactérias (geralmente a Escherichia coli) colonizem o trato urinário repetidamente:

  1. Fatores Anatômicos: Alterações na bexiga ou na uretra.
  2. Hábitos de Vida: Baixa ingestão de água, segurar a urina por muito tempo, atividade sexual ou higiene inadequada.
  3. Saúde Intestinal: O intestino preso pode favorecer a proliferação de bactérias próximas à uretra.
  4. Menopausa: A queda do estrogênio altera a flora vaginal, reduzindo a proteção natural contra infecções.
  5. Cálculos Renais: Pedras nos rins podem servir como "reservatório" para bactérias.

Quando procurar um especialista?

Muitas pessoas cometem o erro de se automedicar ou buscar apenas o pronto-socorro. No entanto, o Urologista ou Nefrologista deve ser consultado se:

Diagnóstico e Tratamento Avançado

O especialista não irá apenas prescrever um novo antibiótico. A abordagem inclui:


Conclusão

Viver com o medo constante da próxima infecção urinária não é normal. A investigação especializada permite um tratamento preventivo que devolve a qualidade de vida e evita complicações graves para os rins. Se a sua infecção sempre volta, é hora de investigar a fundo.


Referências Bibliográficas:

  1. Associação Brasileira de Urologia (SBU). Diretrizes de Infecções do Trato Urinário.
  2. Gupta, K., et al. (2011). International Clinical Practice Guidelines for the Treatment of Acute Uncomplicated Cystitis and Pyelonephritis in Women. Clinical Infectious Diseases.
  3. Kranz, J., et al. (2018). The Epidemiology, Diagnostics, and Treatment of Adult Urinary Tract Infections. Deutsches Ärzteblatt International.
  4. Bonkat, G., et al. (2022). EAU Guidelines on Urological Infections. European Association of Urology.

O uso de esteroides anabolizantes para fins estéticos ou de performance esportiva tem crescido exponencialmente. No entanto, o preço pago pelo "corpo perfeito" pode ser alto, e um dos órgãos que mais sofre silenciosamente com essa prática são os rins e o fígado.

Neste artigo, vamos entender como essas substâncias afetam a função renal e por que o acompanhamento médico é inegociável.

Como os anabolizantes sobrecarregam os rins?

Os rins são os filtros do nosso corpo. Quando uma pessoa utiliza doses suprafisiológicas de hormônios, ocorre uma série de alterações metabólicas que forçam esses órgãos a trabalharem além do seu limite.

1. Hiperfiltração e Hipertensão

O uso de esteroides aumenta a massa muscular e, consequentemente, o volume sanguíneo. Isso pode levar à hipertensão arterial, que é a principal causa de danos nos pequenos vasos sanguíneos dos rins (glomérulos). Com o tempo, essa pressão elevada "esmaga" as unidades filtrantes, levando à perda de função.

2. Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF)

Estudos mostram que o uso prolongado de anabolizantes está diretamente ligado a uma condição chamada GESF. Nela, cicatrizes se formam nos filtros do rim, impedindo a filtragem correta das toxinas. O sintoma mais comum é a presença de proteína na urina (urina espumosa).

3. Nefrotoxicidade Direta

Algumas substâncias têm um efeito tóxico direto nas células renais. Além disso, o uso excessivo de suplementos proteicos, eletrólitos com alto teor de sódio e altas doses de creatina — quando somado aos esteroides sem orientação — pode elevar os níveis de creatinina e sobrecarregar ainda mais o sistema.

Sinais de alerta: Quando o rim pede ajuda

Muitas vezes, a doença renal é silenciosa. Fique atento a:

A importância do acompanhamento médico

O papel do médico é orientar o uso adequado desses suplementos e monitorar as taxas de filtração glomerular, níveis de eletrólitos e pressão arterial para evitar danos irreversíveis, como a insuficiência renal crônica, que pode levar à necessidade de hemodiálise.


Conclusão

Músculos podem ser reconstruídos, mas o tecido renal perdido por cicatrizes (fibrose) não se regenera. Antes de iniciar qualquer protocolo, priorize sua saúde e busque orientação de especialistas.

Referências Bibliográficas:

  1. Herlitz, L. C., et al. (2010). Development of Focal Segmental Glomerulosclerosis after Anabolic Steroid Abuse. Journal of the American Society of Nephrology.
  2. Hartung, R., et al. (2001). Anabolic androgenic steroids and the kidney. Current Opinion in Nephrology and Hypertension.
  3. Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Informativos sobre Nefrotoxicidade e Estilo de Vida.
  4. Almalki, M. A., et al. (2017). Anabolic Androgenic Steroid-Induced Acute Kidney Injury. Case Reports in Nephrology.

As chamadas "canetas para emagrecer" — medicamentos análogos do receptor de GLP-1 — revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, com a popularização dessas substâncias, surgiram dúvidas e receios sobre seus efeitos colaterais, sendo a pancreatite um dos assuntos mais discutidos.

Neste artigo, vamos esclarecer o que a ciência diz atualmente sobre essa relação e como garantir um tratamento seguro.

O que são os análogos de GLP-1 e como agem?

Esses medicamentos simulam um hormônio que produzimos naturalmente no intestino. Eles atuam melhorando a secreção de insulina, aumentando a sensação de saciedade e retardando o esvaziamento gástrico.

Por agirem diretamente no pâncreas e no sistema digestivo, a preocupação com a inflamação pancreática (pancreatite) tornou-se um ponto de atenção constante para a comunidade médica.

Existe um risco real de pancreatite?

A relação entre o uso de canetas emagrecedoras e a pancreatite aguda foi intensamente estudada nos últimos anos. Aqui estão os pontos principais:

  1. Estudos de Registro: Durante os testes iniciais, foram relatados alguns casos isolados de pancreatite. Isso levou as agências reguladoras (como ANVISA e FDA) a incluírem o alerta nas bulas.
  2. Evidências Atuais: Grandes estudos de metanálise e revisões sistemáticas sugerem que o risco é muito baixo na população geral que utiliza a medicação sob orientação.
  3. Fator de Confusão: É importante lembrar que a própria obesidade e a presença de cálculos biliares (pedras na vesícula) — condições comuns em quem busca o tratamento — já são fatores de risco independentes para a pancreatite.

Sinais de Alerta: Quando suspeitar de problemas no pâncreas?

Embora raro, o paciente deve estar atento a sintomas que fogem das náuseas comuns do início do tratamento:

Ao notar esses sinais, a interrupção da medicação e a busca por atendimento médico imediato são fundamentais.

Como minimizar riscos no emagrecimento

O risco de complicações diminui drasticamente quando o tratamento segue três pilares:


Conclusão

Até o momento, os benefícios das canetas para emagrecer no controle metabólico e na redução de riscos cardiovasculares superam os riscos potenciais para a maioria dos pacientes. A pancreatite é uma complicação possível, mas rara, e o monitoramento médico é a sua maior segurança.


Referências Bibliográficas:

  1. Cao, C., et al. (2023). Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and risk of gastrointestinal adverse events of weight loss. JAMA.
  2. Knapen, L. M., et al. (2017). Use of incretin agents and risk of acute pancreatitis: A population-based cohort study. Drug Safety.
  3. European Medicines Agency (EMA). Assessment report on GLP-1 based therapies and pancreatic safety.
  4. American Diabetes Association (ADA). Standards of Care in Diabetes — 2024.

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