Nefrite

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 Dr. Leonardo Victor Barbosa Pereira
  CV Lattes
CRM SP 117560
Atualizado em 08/10/2020

Nossos rins podem ser acometidos por processos inflamatórios, e quando isso acontece temos o que chamamos genericamente de nefrites. As nefrites geralmente atingem as principais estruturas responsáveis pela filtração do sangue e formação da urina que são os glomérulos, os túbulos e o interstício.

O que é nefrite?

A função do sistema imunológico é combater agentes agressores que invadem o organismo que podem ser vírus, bactérias ou protozoários . Esses micro-organismos possuem antígenos que são estruturas que podem ser identificados pelo nosso organismo e ativam nosso sistema imunológico que inicia a produção de anticorpos, cuja função é neutralizar esses micro-organismos e combater doenças infecciosas.

No entanto, o complexo formado pela união do antígeno com o anticorpo pode ser levado pelo sangue até os rins, podendo provocar danos nas estruturas citadas anteriormente caracterizando a nefrite.

Quais são os tipos de nefrite?

Como você viu no item anterior, dependendo do fator que desencadeou a nefrite, ou o local onde ela se manifestou, temos um tipo diferente de inflamação. A seguir falamos sobre principais tipos:

Glomerulonefrite

Em quadros como esse a inflamação atinge os glomérulos, que são a primeira parte do aparelho de filtragem dos rins. A nefrite, nesse, caso pode ser classificada como aguda ou crônica.

Nefrite intersticial ou nefrite tubulointersticial

Nesses casos, o processo inflamatório pode lesionar as células dos túbulos renais, responsáveis pela formação da urina ou a região intersticial onde estão localizados os vasos sanguíneos que irrigam os túbulos e mantém o suprimento de oxigênio e nutrientes. 

Quais são os sintomas da nefrite?

As nefrites podem se apresentar de duas formas diferentes, aguda e crônica. No primeiro caso temos um quadro temporário e reversível; já no segundo, as lesões renais acontecem gradativamente, podendo evoluir para insuficiência renal irreversível. 

É por isso que em casos de nefrite crônica durante algum tempo os pacientes podem se mostrar assintomáticos e as lesões podem progredir  de forma silenciosa. Só depois surgem sintomas, quando os danos são significativos podendo ocorrer:

  • inchaço dos membros inferiores;
  • náuseas e vômitos;
  • perda de apetite;
  • câimbras;
  • fadiga;
  • insônia;
  • prurido;
  • hipertensão arterial. 

Já para os quadros de nefrite aguda geralmente ocorrem alterações urinárias, como a redução do volume de urina e alterações na tonalidade da urina que pode ficar avermelhada devido à presença de sangue. Também pode ocorrer inchaço ao redor dos olhos, inchaço nos membros inferiores e hipertensão arterial. 

É válido ressaltar que a intensidade dos sintomas de nefrite varia de acordo com a gravidade do quadro. Sendo assim, quanto mais intensa a inflamação ou mais disseminada ela estiver, mais incômodas serão essas manifestações, ao contrário dos casos em que a inflamação é menos severa.

O que causa nefrite?

Explicamos que existem diferentes tipos de nefrite porque suas causas também podem ser distintas. A inflamação pode ser desencadeada por infecções virais, bacterianas e algumas doenças autoimunes também podem ser causa de nefrites como o Lupus Eritematoso, Síndrome de Sjögren e doença sistêmica associada a IgG4. 

O uso excessivo de medicamentos pode favorecer a nefrite. Esse é o caso de alguns antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios e até mesmo diuréticos. Pessoas expostas por períodos prolongados a toxinas também podem apresentar problemas renais , como é o caso do chumbo, lítio, cádmio e o ácido aristolóquico. Geralmente nesses casos, as estruturas acometidas são os túbulos renais e o interstício.

Existem nefrites em que não existe uma causa aparente e geralmente surgem dos próprios rins e por mecanismos diferentes das nefrites relacionadas a infecções ou medicamentos, chamamos esses quadros de nefrites primárias e temos como exemplo a nefropatia da IgA, a nefropatia Membranosa e a Glomerulonefrite membrano proliferativa.

Existem ainda outras doenças e condições orgânicas que favorecem a manifestação de inflamações nos rins. Esse é o caso de:

  • Tumores;
  • Infecção pelo vírus do HIV;
  • Anemia Falciforme 
  • Quimioterápicos

Pode existir uma ligação entre a genética do indivíduo e os quadros de nefrite. Pacientes com antecedentes familiares de alguns tipos de nefrite, têm uma propensão maior para as inflamações renais, podendo estar relacionada com fatores hereditários.

A nefrite tem tratamento?

A nefrite é uma doença que pode ser tratada, mas a reversão das lesões geralmente acontece nas formas agudas da doença. Nas formas crônicas, devido ao início insidioso e pouco sintomático, quando o diagnóstico é realizado, as lesões e a inflamação estão em estágios avançados, impedindo a recuperação da função renal para níveis normais. 

Nos quadros agudos o paciente é tratado de maneira geral com repouso absoluto, redução do consumo de sal e controle da pressão arterial. Porém, se a nefrite estiver relacionada a alguma infecção, serão necessários medicamentos para tratar a bactéria ou víru e suspensão de medicamentos ou drogas implicadas.

Já no caso dos pacientes com a forma crônica de nefrite, o tratamento tem como objetivo evitar a progressão das lesões renais. É feito o controle da pressão arterial e podem ser receitados imunossupressores para diminuir o processo inflamatório e diminuir a gravidade e a progressão da nefrite.

É importante entender que, como os quadros de nefrite podem ser muitos distintos de um paciente para outro, o tratamento é sempre adotado conforme a necessidade de cada paciente. Considera-se a intensidade da inflamação e a sua causa.

É possível prevenir a nefrite?

Como a nefrite geralmente está associada à resposta do sistema imunológico a agentes agressores, infeções ou medicações, nem sempre é possível evitar esse problema, mas evitar a ingestão de medicamentos, por exemplo, sem receita médica é uma forma simples de evitar nefrites e proteger os rins.

Indivíduos com doenças sistêmicas, autoimunes, ou aqueles com quadros de nefrite na família, precisam realizar acompanhamento regular com o nefrologista para diagnóstico precoce do problema e tratamento efetivo com o objetivo de manter preservada a função renal.

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