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Depressão

Atualizado em 09/04/2021
Tempo de leitura: 4 min.

A depressão é uma doença, e ao contrário do que muitas pessoas ainda acreditam, ela é totalmente diferente de uma simples tristeza. Na verdade, é uma condição orgânica que requer tratamento, muitas vezes multidisciplinar, para recuperação do indivíduo.

O que é a depressão?

Quando falamos a respeito de depressão, é importante que fique claro que ela é diferente de uma eventual tristeza. É natural as pessoas ficarem tristes quando vivenciam situações ou experiências negativas.

Esse é o caso, por exemplo, de quem perde o emprego, um ente querido, tem uma desilusão amorosa, entre outros. Esse sentimento pode permanecer durante alguns dias, mas a pessoa ainda consegue realizar as suas atividades rotineiras e aos poucos se recupera, voltando a se sentir bem.

No entanto, essas mesmas experiências negativas que desencadeiam a tristeza podem provocar servir como gatilho para a depressão. Nesse caso, ocorre uma tristeza muito profunda e desproporcional ao que as pessoas costumam sentir em situações similares.

Também pode acontecer de, sem motivo aparente, o indivíduo se sentir infeliz, muitas vezes sem ele mesmo saber explicar o porquê desse sentimento. Quadros como esse costumam caracterizar a depressão.

Ela vai além de sentimentos e emoções, porque na verdade é classificada como uma doença que requer tratamento para que o indivíduo consiga recuperar a sua alegria de viver. É um problema muito prevalente, atingindo cerca de 15,5% das pessoas ao longo da sua vida.

Existem tipos diferentes de depressão?

A depressão apresenta alguns subtipos, caracterizados pelas manifestações ou reações que a pessoa depressiva manifesta. A seguir explicamos quais são esses subtipos.

Depressão sazonal

É o quadro depressivo que se manifesta acompanhando as estações do ano. Tem início geralmente no outono ou no inverno, e quando chega a primavera apresenta uma remissão. É bastante incomum no verão, embora possa ocorrer. Tem como sintomas característicos:

  • Apatia;
  • Isolamento social;
  • Redução da atividade;
  • Perda da libido;
  • Aumento do apetite;
  • Sonolência;
  • Desejo por carboidratos;
  • Ganho de peso.

Para ser classificada como depressão sazonal deve se repetir por dois anos consecutivos sem episódios não sazonais.

Distimia

É um quadro de depressão crônica, porém com intensidade mais leve. Se manifesta diariamente na maior parte do dia e por pelo menos dois anos consecutivos. Ocorre com mais frequência na adolescência ou no começo da vida adulta, desencadeando sintomas como:

  • Cansaço;
  • Desânimo;
  • Preocupação excessiva;
  • Letargia;
  • Falta de prazer pelas atividades que antes gostava.

Depressão endógena

Os sintomas desse subtipo de depressão ocorrem mais intensamente pela manhã. Há:

  • Perda de interesse por atividades antes agradáveis;
  • Ausência de reatividade de humor;
  • Esquecimento;
  • Perda de peso;
  • Desânimo excessivo;
  • Lentidão psicomotora;
  • Perda de apetite.

Depressão atípica

Tem os sintomas invertidos em relação à depressão endógena. Nesse caso, a pessoa tem um aumento de apetite ou ganho de peso. Também sente o corpo pesado, muito sono ou sonolência. Fica muito sensível à rejeição e não responde bem aos estímulos ambientais.

Depressão bipolar

Acomete indivíduos que vivenciam um quadro de bipolaridade, sendo que esse problema tem início geralmente após um episódio depressivo. Costuma atingir pessoas com histórico familiar de bipolaridade, em função do abuso de substâncias e transtorno de ansiedade.

Depressão secundária

Inicia por causa de doenças que o indivíduo esteja vivenciando, ou é desencadeada pelo tratamento de problemas de saúde em função das substâncias medicamentosas administradas. Também pode estar associada a esses quadros, não necessariamente causada por eles.

Depressão pós-parto

A depressão pós-parto é uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto. Raramente, a situação pode se complicar e evoluir para uma forma mais agressiva da depressão pós-parto, conhecida como psicose pós-parto.

Depressão psicótica

Quadro grave com manifestação de alucinações e delírios, geralmente envolvendo desastres, pobreza, ideias de pecado ou doenças incuráveis. Também podem ocorrer alucinações auditivas.

Quais são as causas da depressão?

As causas da depressão podem ser divididas em três grandes grupos, envolvendo fatores genéticos, a bioquímica do cérebro ou alguns eventos e situações específicos da vida da pessoa.

Causas bioquímicas

Substâncias como dopamina, noradrenalina e serotonina são neurotransmissores que participam de diversos processos orgânicos, como a regulação do apetite, do humor, o sono e atividade motora. Por isso, a deficiência dessas substâncias provoca desequilíbrios que desencadeiam a depressão.

Causas genéticas

Alguns fatores genéticos também estão relacionados com casos de depressão aumentando em 40% a suscetibilidade para desenvolver a doença.

Experiências de vida

Algumas pessoas não conseguem superar experiências negativas que vivenciaram. Como explicamos, elas podem ser a perda de um ente querido, ficar desempregado, ter uma desilusão amorosa, não conseguir passar em um concurso ou sofrer grandes perdas financeiras.

Quais são os sintomas da depressão?

Como você viu ao descrevermos os diferentes tipos de depressão, os sintomas dessa doença não são apenas psicológicos, mas também físicos e comportamentais. As manifestações variam de pessoa para pessoa e de acordo com a depressão desenvolvida.

Além disso, eles podem estar presentes mais intensamente em determinadas horas do dia ou mudar de um dia para o outro. Por isso, é uma doença que varia bastante, tendo suas características e singularidades em cada indivíduo. De toda forma, veja a seguir alguns sintomas gerais que a depressão manifesta.

Sintomas emocionais

  • sensação de tristeza;
  • sentimento de culpa;
  • autodesvalorização;
  • sentimento de perda irreparável;
  • incapacidade de sentir alegria ou prazer;
  • sensação de vazio;
  • apatia;
  • ausência de emoções;
  • desesperança;
  • pensamentos suicidas.

Sintomas físicos

  • falta de energia;
  • cansaço excessivo;
  • retardo motor;
  • falta de memória;
  • sonolência;
  • insônia;
  • alterações no apetite;
  • mal estar geral;
  • problemas digestivos;
  • taquicardia;
  • dor no peito;

Sintomas comportamentais

  • preguiça;
  • ausência de iniciativa;
  • falta de vontade;
  • perda do interesse sexual;
  • falta de concentração.

Como a depressão é tratada

O tratamento da depressão não envolve apenas uma abordagem. São utilizados medicamentos antidepressivos de acordo com o subtipo de depressão que foi desenvolvido, também considerando históricos pessoais e a resposta a outras substâncias já utilizadas.

É interessante também fazer terapia, uma vez que esse suporte psicológico contribui de forma significativa para uma melhor resposta aos medicamentos. Inclusive com o objetivo de compreender o próprio quadro clínico, aceitar ajuda e cumprir corretamente o tratamento.

Outras medidas também podem ser adotadas, como a prática de exercícios físicos para favorecer os neurotransmissores, e ainda a adequação alimentar, pois algumas substâncias presentes nos alimentos equilibram a química do organismo.

Ter o suporte de familiares e amigos é fundamental para que a pessoa depressiva se sinta amparada, acolhida e compreendida. Simultaneamente, é interessante investir em atividades prazerosas ou que possam liberar a mente dos pensamentos negativos, como a prática de um hobby ou atividades relaxantes, como yoga.

Entretanto, sendo a depressão uma doença que também tem origens no organismo é fundamental passar por uma avaliação médica, a fim de personalizar esse tratamento. Desse modo atendemos especificamente as necessidades de cada pessoa, uma vez que a depressão varia de paciente para paciente.

É válido ressaltar que deprimidos também apresentam tendências suicidas, embora isso não se aplique a todos os casos. Mesmo assim, é fundamental que as pessoas mais próximas estejam atentas a isso para que a depressão não tenha consequências extremas.

SOBRE O(A) AUTOR(A)
Dra. Sara Mohrbacher CRM SP 146577, possui experiência na área de Clínica Médica, no manejo de pacientes que necessitam internação hospitalar, e nefrologia. Atuando principalmente nos seguintes temas: cuidados como um todo do paciente, interligando suas múltiplas patologias.
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