Diálise Peritoneal

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 Dr. Leonardo Victor Barbosa Pereira
  CV Lattes
CRM SP 117560
Atualizado em 19/10/2020

A diálise peritoneal é um procedimento que substitui a função dos rins retirando do sangue substâncias que não serão utilizadas pelo organismo utilizando  como filtro o peritônio ,uma membrana formada por uma fina camada de células que reveste internamente os órgãos abdominais.  É uma técnica que pode ser realizada em casa pelo próprio paciente, familiares ou cuidadores.

O que é diálise peritoneal?

Pacientes com insuficiência renal são aqueles cujos rins já não conseguem cumprir adequadamente suas funções. Esses órgãos, portanto, não filtram o sangue como deveriam, ocorrendo acúmulo de líquidos, toxinas e outras substâncias no organismo.

O excesso de toxinas e líquidos traz diversas complicações e prejuízos para a saúde em geral e precisam ser retirados do organismo.As técnicas de diálise são realizadas com esse objetiv, entre elas o seu  médico pode recomendar a realização da diálise peritoneal.

Diferentemente  da hemodiálise, esse procedimento é ambulatorial e considerado como mais simples, porque deve ser realizado pelo próprio paciente ou seus familiares, pessoas que a princípio, não necessitam ter conhecimentos profundos em saúde.

Como a diálise peritoneal funciona?

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Os órgãos localizados na cavidade abdominal estão envoltos por uma membrana muito fina chamada membrana peritoneal ou peritônio. Os líquidos produzidos pelo corpo conseguem passar por essa membrana enquanto o sangue permanece do outro lado dela. Atua como um filtro natural.

Na hemodiálise peritoneal, utilizamos essa funcionalidade para fazer a separação dos resíduos que o corpo não utilizará. Para isso, infunde-se na cavidade peritoneal um líquido específico para diálise, chamada solução de diálise peritoneal que auxiliará nesse processo de filtração do sangue. A solução peritoneal pode ser infundida manualmente pelo paciente ou através de máquinas específicas chamadas cicladoras que descreveremos com detalhes mais à frente.

Essa solução de diálise é inserida no abdômen através de um cateter que é implantado nessa região antecipadamente por um pequeno procedimento cirúrgico. O líquido permanece algumas horas no organismo e quando entra em contato com o sangue separado pelo peritônio faz a remoção das substâncias que precisam ser excretadas, como potássio, creatinina, ureia e do excesso de líquido produzido no organismo.

Existem duas variações da diálise peritoneal, sendo a contínua ambulatorial e a automática. Veja a seguir um pouco mais sobre cada uma delas.

Diálise peritoneal contínua ambulatorial (DPCA)

Nesse tipo de diálise peritoneal a solução permanece na cavidade peritoneal por cerca de quatro a seis horas (tempo de permanência). Depois desse período é feita a drenagem da solução e a substituição dela por outra. Nesse caso não é necessário utilizar máquinas, sendo um procedimento manual que acontece 3 a 5 vezes durante o dia.

Diálise peritoneal automática (DPA)

Nesse tipo de procedimento, a infusão e drenagem da solução peritoneal são realizadas por máquinas chamadas cicladoras que ficam sob a responsabilidade do paciente. Durante o dia, geralmente o paciente não permanece com a solução no abdômen e durante a noite, por cerca de 8 a 12 horas, enquanto o paciente está dormindo a máquina cicladora é conectada ao cateter de diálise peritoneal por meio de conexões e realiza as trocas das soluções de diálise conforme prescrição do seu nefrologista.

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Quais as vantagens da diálise peritoneal?

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Em diálise peritoneal, o paciente não precisar estar no hospital ou na clínica de hemodiálise para remover os resíduos e excesso de líquidos do seu corpo. Todo o processo pode ser realizado em sua residência.

O próprio paciente, seus familiares ou o cuidador são treinados para a realização desse procedimento. Sendo assim, é possível manter uma vida mais livre das clínicas de hemodiálise. Geralmente os pacientes passam em consulta com o seu nefrologista e a enfermeira responsável mensalmente ou quando houver necessidade. O paciente precisa realizar exames pelo menos 1 vez por mês para avaliação da qualidade e eficiência do tratamento.

É possível estudar, trabalhar e até mesmo viajar, visto que , o equipamento e as bolsas de solução  podem ser levados junto com o paciente. Também há menos restrições na dieta e em relação à ingestão de líquidos quando comparado com a técnica de hemodiálise, o que traz mais qualidade de vida para o paciente.

Quais são os riscos da diálise peritoneal?

O principal risco oferecido pela diálise peritoneal é a infecção no lugar onde o cateter foi implantado ou na cavidade peritoneal, o que chamamos de peritonite.

Sendo assim, é fundamental manter total higiene no local de inserção do cateter. É muito importante evitar que essa área, bem como o próprio cateter, sirva como porta de entrada para micro-organismos patógenos. O treinamento para cuidados com o cateter de diálise deve ser bastante rigoroso.

Os pacientes portadores de insuficiência renal crônica devem ser orientados com relação a existência da diálise peritoneal e que ela pode ser uma excelente opção de tratamento enquanto o paciente espera por um transplante renal.

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