Revisão médica: Dra. Alessandra Martins Bales — Nefrologista e Clínica | Chocair Médicos | CRM 139.465
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Setembro Amarelo é o mês nacional de prevenção ao suicídio, criado para lembrar que ouvir com atenção pode ser tão importante quanto qualquer tratamento clínico. O tema da campanha deste ano, definido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), resume bem o espírito da causa: "Escutar é estar presente". Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 15.507 mortes por suicídio em 2021 — uma média de 42 por dia, a maioria entre homens.
Para uma clínica que acompanha pacientes com doença renal crônica, hemodiálise, transplante e também condições acompanhadas pela clínica médica, como a depressão, esse tema toca diretamente a rotina de quem já enfrenta um tratamento longo e exigente.
A doença renal crônica costuma evoluir de forma silenciosa, e por isso o diagnóstico frequentemente chega como uma surpresa. A reação mais comum é uma mistura de angústia, ansiedade, medo e raiva. A partir daí, o tratamento impõe mudanças profundas na rotina: restrições alimentares, uso contínuo de medicamentos, sessões semanais de hemodiálise (ou de diálise peritoneal) e uma nova dependência de equipamentos, da equipe de saúde e, muitas vezes, da família.
Um estudo brasileiro com pacientes em tratamento conservador da doença renal crônica encontrou sintomas depressivos em mais da metade dos participantes (42,6% em nível mínimo, 39,3% em nível leve e 18% em níveis moderado a grave) e sintomas de ansiedade em proporção semelhante. Os sintomas foram mais frequentes justamente nos estágios inicial e final da doença — no momento do diagnóstico e no momento em que o tratamento se torna mais intenso, como na entrada em diálise.
A questão psicológica costuma ser a mais afetada em pacientes renais crônicos, segundo a mesma pesquisa, ao lado de um impacto financeiro relevante. É esse conjunto de fatores que dá origem à psiconefrologia, área da psicologia dedicada ao acompanhamento de quem vive com doença renal em qualquer fase do tratamento, da fase conservadora ao pós-transplante.
O acompanhamento psicológico contínuo ajuda o paciente a lidar com sentimentos comuns nesse percurso, como insegurança, culpa por "dar trabalho" à família e medo do que vem a seguir — e pode começar antes mesmo do início da diálise.
Tristeza persistente, perda de interesse em atividades que antes traziam prazer, isolamento social, alterações importantes no sono ou no apetite, e falas que expressam desesperança ou desejo de desistir do tratamento são sinais que nunca devem ser ignorados. Familiares e cuidadores também fazem parte dessa rede de atenção: muitas vezes, são eles que percebem a mudança primeiro.
O CVV oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, pelo telefone 188, além de atendimento por chat e e-mail pelo site cvv.org.br. Se você enfrenta uma doença renal crônica e sente que o peso emocional do tratamento está pesando mais do que deveria, converse com a equipe da Chocair Médicos. Saúde mental faz parte do acompanhamento nefrológico.
Depressão é comum em quem faz hemodiálise? Sim. Estudos brasileiros mostram sintomas depressivos em mais da metade dos pacientes renais crônicos, com maior frequência no diagnóstico e na entrada em diálise.
Como saber se é depressão e não só cansaço do tratamento? Tristeza persistente, perda de interesse em atividades antes prazerosas, isolamento e mudanças de sono ou apetite por mais de duas semanas são sinais que merecem avaliação profissional, além do cansaço físico esperado do tratamento.
Onde buscar ajuda psicológica gratuita? O CVV atende 24h pelo telefone 188, chat e e-mail (cvv.org.br). A rede pública de saúde (CAPS e UBS) também oferece acompanhamento psicológico gratuito.
Setembro Amarelo tem relação direta com pacientes renais crônicos? Sim: a campanha nacional de prevenção ao suicídio é especialmente relevante para quem enfrenta doenças crônicas e tratamentos prolongados, grupo com maior prevalência de sintomas depressivos e ansiosos.


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